Desta vez, entrevistamos Marisa Ono. Marisa cozinha desde os oito anos de idade e é completamente apaixonada por gastronomia, como ela mesma diz: "Comida, para mim, é para presentear, para dividir. Como para viver, mas cozinho para agradar. Comida é parte da nossa cultura e comemos o nosso momento." Porém, também já trabalhou em diversas outras áreas (desde bancos até indústria automotiva), morou por 16 anos no japão e compartilha toda sua sabedoria no seu "playground culinário", o blog http://marisaono.com/delicia/. Marisa Ono ainda é responsável pelo famoso Alho Negro, no Brasil.
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| Foto: Studio Oz - Blog Marisa Ono |
Me passa o cardápio: Nós lemos que você fez o alho negro sem ter provado antes. Você teve que testar muito até chegar a um resultado que considerasse final? E depois de começar a produzir, provou algum outro alho negro?
Marisa Ono: Levou muito tempo, observando, fazendo anotações mas depois de uns 40 dias cheguei bem próximo do produto atual. Depois foram mais testes para melhorar a aparência e diminuir o tempo de produção. Isso levou alguns meses exatamente porque também não tinha certeza ainda se iria virar um negócio ou não. Já provei do alho negro japonês, achei a textura um pouco diferente.
MPOC: Você diz que cozinha desde os 8 anos. Como foi isso? Foi influência da Dona M.? Qual sua lembrança mais antiga na cozinha?
MO: Eu precisei cozinhar porque quando eu tinha 6 anos meu pai ficou muito doente. Minha mãe começou a trabalhar e alguém precisava fazer a tarefas domésticas. Cozinhar foi uma necessidade, coisas do momento que passamos. Minha mãe sempre cozinhou muito bem, sobretudo carnes assadas e salgadinhos, como empada. A primeira coisa que aprendi a fazer na cozinha foram ovos quentes. Sempre gostei muito de ovos. Tinha 4 anos.
MPOC: E como entra o seu blog, o Delícia, nessa história? Quando e como você decidiu começar a falar de comida na internet?
MO: Eu queria uma atividade que me obrigasse não só a ler, mas pesquisar e escrever. Algo mais que um diário. Os blogs já eram populares e vi que no caso da cozinha japonesa quase só se escrevia a respeito do sushi e do sashimi. Resolvi ir contra a maré e falar sobre a cozinha doméstica japonesa e nikkey, sobre ingredientes, produtos da época e algumas técnicas básicas. Para minha supresa, muitos leitores vieram ao blog porque as mães ou avós ja morreram e muita coisa se perdeu. Muitos posts vieram de pedidos de leitores sobre coisas que eu achava que eram até banais, mas que não havia registro algum.
MPOC: Sua formação não tem nada a ver com gastronomia, né? Como as duas coisas se complementam pra você?
MO: Não, oficialmente sou desenhista arquitetônica, profissão que nunca exerci de fato. Estudei Física, acabei abandonando o curso quase no final. Trabalhei 2 anos em uma indústria de alimentos no Japão, foi uma experiência bem interessante mais do ponto de vista de administração, embora lá eu tenha aprendido sobre vários pratos japoneses que eu não conhecia. Eu acho que disso tudo ganhei um pouco de método, tanto na pesquisa quanto na hora de produzir alguma coisa.
MPOC: No seu tempo morando no Japão, você trabalhou em uma linha de produção de bentôs. Como era isso?
MO: Foi uma experiência boa. Eu estava há pouco tempo morando no Japão, não tinha ainda idéia de como a indústria de alimentos era forte por lá. A quantidade de bentos produzidos por dia era impressionante. Comecei na linha, depois virei um tipo de valete, era emprestada para áreas onde faltava pessoal e em dias muito carregados, cheguei a tocar a linha de sushis sozinha. Era importante saber os ingredientes que iam em cada prato, a quantidade de cada um e administrar o tempo, cumprir prazos. Acabei aprendendo a ler um pouco de japonês por conta do nome de ingredientes - alguns molhos por exemplo, eram muito parecidos - e porque precisava preencher tabelas de produção. E também pelo fato de estar morando próximo a Tokyo na época, vi, provei, conheci muita coisa nova.


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